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CEREC: como funciona a restauração de cerâmica em sessão única

Escanear, projetar e fresar no mesmo dia: entenda como funciona a odontologia digital em sessão única e quais casos realmente se beneficiam dela.

Por Equipe Instituto BeltrameRevisão técnica: Dra. Daniela Nunes Ferraz Beltrame — Clínica Geral e Radiologia

CEREC é um sistema de odontologia digital que permite escanear o dente preparado, projetar a restauração em software e fresar a peça de cerâmica no próprio consultório, muitas vezes em uma única consulta. A sigla vem de Chairside Economical Restoration of Esthetic Ceramics. Neste artigo, explicamos como o fluxo funciona, quais são os benefícios comprovados e quando essa abordagem faz sentido — e quando não faz.

Como funciona o fluxo digital em sessão única

O processo tem quatro etapas principais.

1. Preparo do dente. O dentista remove tecido comprometido e dá ao dente a forma necessária para receber a peça, seguindo os mesmos princípios de uma restauração indireta convencional.

2. Escaneamento intraoral. Uma câmera captura a superfície do dente preparado, dos dentes vizinhos e da mordida, gerando um modelo tridimensional em poucos minutos.

3. Desenho digital. No software, a restauração é projetada considerando anatomia, pontos de contato e oclusão. O profissional ajusta o desenho antes de enviá-lo à produção.

4. Fresagem e acabamento. Um bloco cerâmico é usinado por uma fresadora. Em seguida, a peça passa por cristalização ou glazeamento, conforme o material, e recebe caracterização e polimento antes da cimentação adesiva.

Em situações favoráveis, tudo isso acontece em uma consulta mais longa — sem moldagem convencional, sem provisório e sem segunda sessão.

Que tipos de trabalho podem ser feitos assim?

  • inlays e onlays, restaurações que reconstroem parte do dente posterior;
  • coroas totais em dentes posteriores e, em casos selecionados, anteriores;
  • facetas em situações específicas;
  • coroas sobre implantes, com componentes compatíveis;
  • restaurações provisórias de longa duração.

Os materiais mais utilizados incluem cerâmicas de dissilicato de lítio, cerâmicas reforçadas e zircônia, escolhidos conforme a exigência mecânica e estética de cada caso.

O que a evidência mostra sobre longevidade

Restaurações cerâmicas fresadas em consultório já são estudadas há décadas.

Um estudo retrospectivo alemão que acompanhou restaurações do sistema em consultório particular encontrou sobrevivência de 94,7% em cinco anos e 85,7% em dez anos, considerando peças instaladas ainda nos anos 1990, com materiais e protocolos da época.

Um acompanhamento de coroas posteriores de dissilicato de lítio fabricadas em consultório, avaliadas após cerca de 15 anos, relatou taxa de sobrevivência de 80,1% e taxa de sucesso de 64,2% — a diferença entre os dois números reflete peças que continuaram em função, mas precisaram de algum tipo de intervenção.

Esses dados sustentam uma conclusão equilibrada: restaurações cerâmicas em sessão única têm desempenho sólido a longo prazo, com necessidade de manutenção ao longo dos anos, como qualquer restauração indireta. Nenhum material dentário é permanente.

Quais são as vantagens reais para o paciente?

  • Menos consultas. Muitos casos se resolvem em uma sessão.
  • Dispensa do provisório em várias indicações. Provisórios podem soltar, infiltrar e causar sensibilidade.
  • Conforto na captura. O escaneamento evita a moldagem com material de silicone, especialmente relevante para quem tem reflexo de vômito acentuado.
  • Precisão do registro. A imagem digital pode ser ampliada e revista antes da produção; se algo não ficou bom, refaz-se a captura da região, não a moldagem inteira.
  • Comunicação visual. O paciente vê o preparo e o projeto na tela, o que facilita entender o que será feito.

Em quais situações o laboratório continua sendo a melhor escolha?

Ser honesto sobre limites é parte de indicar bem.

O fluxo em laboratório tende a ser preferível quando:

  • exigência estética alta na região anterior, com necessidade de estratificação e caracterização manual detalhada;
  • o caso envolve reabilitações extensas, com muitos elementos e planejamento de oclusão complexo;
  • o material indicado não está disponível em bloco para fresagem;
  • necessidade de provas intermediárias com o paciente antes da peça definitiva.

Tecnologia em consultório e trabalho de laboratório não competem: são recursos complementares dentro de um plano.

O escaneamento intraoral vai além das restaurações

O mesmo equipamento usado para restaurações tem outras aplicações clínicas relevantes:

  • registro digital do arco dentário para acompanhamento de desgaste e recessão gengival ao longo do tempo;
  • planejamento de tratamentos ortodônticos com alinhadores;
  • integração com tomografia para planejamento de implantes e cirurgia guiada;
  • confecção de placas oclusais e guias cirúrgicos;
  • simulação estética antes de tratamentos reabilitadores.

Esse conjunto é o que caracteriza a odontologia digital: não um aparelho isolado, mas um fluxo de informação que conecta diagnóstico, planejamento e execução.

Resumo

O sistema CEREC permite escanear, projetar e fresar restaurações cerâmicas no consultório, frequentemente em uma única sessão. É indicado para inlays, onlays, coroas e algumas facetas, com materiais escolhidos conforme a demanda do caso. Estudos de longo prazo mostram bom desempenho clínico, com necessidade de manutenção ao longo dos anos. Casos com alta exigência estética anterior ou reabilitações extensas podem se beneficiar do fluxo de laboratório. A escolha entre as abordagens depende de avaliação clínica individual.

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Referências

  1. Otto T, Schneider D. Long-term survival of Cerec restorations: a 10-year study. International Journal of Prosthodontics, 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18833853/
  2. Long-term survival of monolithic tooth-supported lithium disilicate crowns fabricated using a chairside approach: 15-year results. Clinical Oral Investigations, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10329614/
  3. Chairside Computer-Aided Design/Computer-Aided Manufacture All-Ceramic Crown and Endocrown Restorations: A 7-Year Survival Rate Study. International Journal of Prosthodontics.
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Perguntas frequentes

Estudos clínicos de longo prazo mostram desempenho comparável ao das restaurações convencionais em indicações adequadas. O que determina a longevidade é o material escolhido, a qualidade do preparo, a adesão e o controle da oclusão, não o local onde a peça foi fabricada.

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