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Air Flow6 min de leitura

Air Flow: o que é, como funciona e para quem a técnica é indicada

O jato de ar com pó de baixa abrasividade remove biofilme e manchas com mais conforto. Mas ele complementa a limpeza profissional, não a substitui.

Por Equipe Instituto BeltrameRevisão técnica: Dra. Daniela Nunes Ferraz Beltrame — Clínica Geral e Radiologia

Air Flow é o nome comercial mais conhecido de uma técnica de profilaxia que utiliza um jato combinado de ar, água e pó para remover biofilme e pigmentações da superfície dos dentes. Ela tornou o momento da limpeza mais confortável para muitos pacientes e ampliou o alcance da higiene profissional a áreas de difícil acesso. Mas é importante entender exatamente o que a técnica faz — e o que ela não faz.

Como funciona a técnica do Air Flow?

O aparelho projeta um jato pressurizado que combina três elementos:

  • ar comprimido, que fornece a energia;
  • água, que controla temperatura e dispersão;
  • pó de partículas finas, que efetivamente desorganiza e remove o biofilme.

O jato alcança regiões onde instrumentos convencionais têm dificuldade: sulcos profundos, superfícies ao redor de braquetes ortodônticos, espaços entre dentes e áreas ao redor de implantes.

O procedimento é indolor para a maioria dos pacientes e costuma levar poucos minutos, embora possa causar sensação de frio ou leve sensibilidade em dentina exposta.

Quais pós são usados e por que isso importa

Esse é o detalhe técnico que faz mais diferença clínica.

Tamanho aproximado da partícula Indicação principal
Bicarbonato de sódio Maior, mais abrasivo Remoção de manchas extrínsecas intensas em esmalte, como as de tabaco e café
Glicina Intermediário Biofilme supragengival e subgengival, manutenção periodontal
Eritritol Cerca de 14 micrômetros, menos abrasivo Biofilme subgengival, superfícies sensíveis, manutenção de implantes

Uma revisão sistemática publicada em 2023 destacou que os pós de baixa abrasividade têm potencial de aumentar o conforto do paciente durante e após a remoção mecânica de placa subgengival, reduzindo danos às estruturas periodontais.

Outra revisão observou que o jato com glicina ou eritritol provocou menos desconforto durante o tratamento em comparação com instrumentos manuais ou ultrassônicos.

Por isso, nas manutenções periodontais e no cuidado com implantes, glicina e eritritol são preferidos: limpam com eficácia comparável e agridem menos o tecido.

O que o Air Flow faz e o que não faz

Faz:

  • remove biofilme aderido em superfícies dentárias e ao redor de implantes;
  • remove pigmentações extrínsecas de café, chá, vinho e tabaco;
  • alcança áreas de difícil acesso com aparelhos ortodônticos;
  • prepara a superfície antes de procedimentos como aplicação de flúor e selantes;
  • aumenta o conforto do paciente durante a manutenção periodontal.

Não faz:

  • não remove cálculo dentário aderido, que exige instrumentação ultrassônica ou manual;
  • não clareia a cor intrínseca do dente;
  • não trata gengivite ou periodontite isoladamente, sem o restante do protocolo;
  • não substitui a escovação e o fio dental diários.

Essa distinção é importante porque o marketing em torno da técnica às vezes sugere resultados que ela não entrega.

Para quem a técnica costuma ser mais indicada

  • pacientes em manutenção periodontal, para controle regular do biofilme;
  • pessoas com implantes, nas quais a superfície precisa ser preservada;
  • pacientes em tratamento ortodôntico com aparelho fixo;
  • fumantes e consumidores frequentes de café, chá ou vinho tinto;
  • pacientes com sensibilidade ao ultrassom em áreas específicas;
  • pessoas com dificuldade de higienização por limitação motora.

Quando há contraindicações ou cuidados especiais

A avaliação prévia existe justamente para identificar situações em que a técnica precisa ser adaptada ou evitada:

  • doenças respiratórias graves não controladas, como asma grave e DPOC descompensada, pela geração de aerossol e pó;
  • pacientes em dieta com restrição estrita de sódio, no caso do pó de bicarbonato;
  • mucosite ou lesões ulceradas em atividade;
  • restaurações com margens deterioradas, que exigem cautela na direção do jato;
  • hipersensibilidade dentinária acentuada, que pode demandar ajuste de pó e pressão.

Esses pontos fazem parte da anamnese. É por isso que a ficha de saúde preenchida na clínica não é burocracia.

Como o Air Flow se encaixa em um protocolo completo

Na prática clínica atual, a sequência costuma ser:

  1. avaliação da condição gengival e periodontal;
  2. evidenciação do biofilme, com corante que mostra ao paciente onde a placa está acumulada;
  3. remoção do biofilme com jato de ar e pó de baixa abrasividade;
  4. remoção de cálculo remanescente com ultrassom ou instrumentos manuais, apenas onde necessário;
  5. polimento, aplicação de flúor quando indicado e orientação de higiene;
  6. definição do intervalo de retorno conforme o risco individual.

A etapa de evidenciação tem valor educativo real: ver onde a placa se acumula costuma mudar mais a rotina de higiene do que qualquer recomendação genérica.

Resumo

Air Flow é a profilaxia realizada com jato de ar, água e pó, que remove biofilme e pigmentações extrínsecas com mais conforto e acesso a áreas difíceis. Os pós de baixa abrasividade, como glicina e eritritol, são preferidos em manutenção periodontal e no cuidado com implantes. A técnica não remove cálculo aderido, não clareia a cor interna do dente e não substitui a higiene diária. Existem contraindicações que exigem avaliação prévia. A frequência das sessões é individual e definida pelo risco de cada paciente.

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Referências

  1. Subgingival Use of Air-Polishing Powders: Status of Knowledge — A Systematic Review, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37959401/
  2. Air-Polishing in Subgingival Root Debridement during Supportive Periodontal Care: A Review. Disponível em: https://www.gavinpublishers.com/article/view/air-polishing-in-subgingival-root-debridement-during-supportive-periodontal-care-a-review
  3. Clinical effects of erythritol, glycine and trehalose as subgingival air-polishing powders on non-surgical periodontal treatment: a systematic review with meta-analysis of randomized controlled trials. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC12336208/
  4. Organização Mundial da Saúde. Oral health (fact sheet), 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/oral-health
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Perguntas frequentes

Não. O jato remove biofilme e manchas superficiais, mas não remove cálculo dentário aderido. Por isso, na maioria dos casos ele é combinado com instrumentação ultrassônica ou manual dentro da mesma sessão.

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